Entrevista com a psicóloga Carla Mannino, da Clinionco

Após o diagnóstico e durante o tratamento contra o câncer, é comum que o paciente se sinta fragilizado e tenha necessidade de apoio para superar as dificuldades que a rotina dessa fase impõe. O apoio pode vir por meio de uma terapia com profissional especializado, mas, antes disso, ele começa com o suporte que o companheiro ou companheira, família e amigos podem oferecer.

“O apoio do companheiro é de grande importância, porque o relacionamento de um casal tem a possibilidade de ser mais completo, estreito e íntimo do que os demais relacionamentos”, explica a psicóloga Carla Mannino, especializada no atendimento a pacientes com câncer na Clinionco, de Porto Alegre.

Nem sempre, porém, o companheiro tem condições, estrutura ou vontade de oferecer esse suporte, explica Carla. “O câncer, assim como outras doenças graves ou crônicas, é revelador, uma vez que sua ocorrência acaba deixando transparecer problemas e conflitos que já existiam e que estavam latentes”, afirma a psicóloga.

Para os casais que passam a enfrentar dificuldade em seu relacionamento a partir do diagnóstico da doença, a especialista recomenda que, se for necessário, o companheiro sadio procure apoio terapêutico individual. “Durante o tratamento e até terem sido superadas as questões mais urgentes relativas à doença, não é aconselhável uma terapia de casal, porque ela pode tirar o foco de atenção sobre o paciente que é, nessa hora, a pessoa mais importante no olhar terapêutico”, argumenta Carla.

Quem não pode contar com a assistência do parceiro não está necessariamente desamparado ou menos amparado, lembra a especialista. O suporte oferecido pelo restante da família ou por amigos pode ser tão eficaz quanto o que poderia vir do parceiro. “O importante é que o paciente se sinta acolhido por pessoas que lhe são caras no dia-a-dia”, diz a psicóloga.

Ela lembra que igual papel podem desempenhar os grupos de ajuda, formados por outros pacientes que estejam enfrentando o mesmo quadro de doença. Em sua rotina clínica, Carla observa com regularidade que participantes de grupos de ajuda conseguem identificar-se e obter relacionamentos de boa qualidade que suprem de forma satisfatória sua necessidade de apoio emocional.

Publicado em 15/08/2007

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