Entrevista com a psiquiatra Regina Araújo, da SPP.
Fazer psicoterapia ajuda a lidar com momentos emocionalmente difíceis decorrentes de problemas profissionais, conjugais ou de saúde. Depois de tomar a decisão de buscar esse tipo de ajuda, muitas vezes o candidato se acha num dilema: que tipo de terapia escolher? Afinal, existem dezenas de escolas psicoterapêuticas e outras tantas técnicas que nem sempre é fácil decidir o que fazer. Aqui contamos um pouco sobre uma dessas técnicas, o psicodrama.

Como acontece com todas as linhas da psicologia, o psicodrama tem como objetivo elaborar os conflitos internos e emocionais que vão se acumulando durante a vida e que interferem nas relações, com sintomas como ansiedade e depressão, explica a psiquiatra Regina Araújo, da Sociedade Paulistana de Psicodrama.

O psicodrama trabalha com a teoria dos papéis e seus respectivos contrapapéis que vão sendo construídos ao longo do desenvolvimento psíquico. São papéis sociais, emocionais e psicossomáticos. O primeiro papel que desempenhamos é o de filho e seu contrapapel é o de mãe ou pai. Aos poucos, vamos agregando outros papéis, como o de aluno, amigo, profissional.

No psicodrama, o trabalho é feito de duas formas: verbal, em que existe o relato das experiências e emoções do paciente, e o do drama propriamente dito, quando são elaboradas cenas com temas de significância para o paciente. O indivíduo narra a emoção e depois a revive.

As sessões podem ser individuais ou em grupo. Muitas vezes, são necessários meses para que o paciente esteja adequadamente "aquecido" para começar a representar momentos de importância emocional para ele e até que tenha sido estabelecido um vínculo de confiança entre paciente e terapeuta. A forma de trabalho de um tema inclui primeiro uma conversa sobre o assunto, em seguida um momento em que o paciente fecha o olho, entra em contato consigo mesmo e revê a cena internamente. Depois, ele é convidado a repetir a cena, desempenhando seu papel para, depois, desempenhar o papel do outro.

Segundo Regina, o papel psicossomático, que é o papel do doente, tem maior ou menor peso dependendo da vivência que a pessoa teve. Se em momentos de doença infantil a pessoa foi bem acolhida e cuidada, vai viver com menos angústia as doenças que tiver na fase adulta.

Às vezes a pessoa fica aturdida e desmotivada porque não conseguiu aceitar a doença, uma vez que esse não é um papel de escolha, mas imposto. No psicodrama, a questão psicossomática trabalha primeiro com a aceitação, sem a qual é difícil para o paciente seguir as regras de tratamento. Durante a terapia, ele aprende a lidar com a raiva que muitas vezes sente por estar doente, a lidar com a dor e com o sofrimento. Atinge-se com freqüência uma sensação de libertação e conforto diante das situações. Apesar das possibilidades mais diversas de reação, as ferramentas utilizadas nessa terapia conduzem com freqüência a vivencias positivas e melhor trato com a rotina.



Publicado em 04/01/2007



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