Entrevista com a psicóloga Andréa Cibele Alves de Lima

Lidar com dinheiro - e principalmente com a escassez dele - não é tarefa fácil para ninguém. A prova é que jornais e revistas não se cansam de publicar verdadeiros manuais sobre como equilibrar gastos, cortar custos e reservar sobras para poupança. Se a tarefa não é fácil no dia-a-dia de qualquer pessoa, quando se tem de conviver com os gastos extras provocados por um tratamento de saúde a situação fica ainda mais complicada.

Não são poucas as reportagens que mostram estudos psicológicos apontando que a falta de conforto financeiro gera aumento no nível de estresse e causa uma série de malefícios à saúde física e mental. Se não há, porém, receitas milagrosas para as finanças, existem alguns passos que podem ser tomados para reduzir o estresse causado pela falta de dinheiro, de forma que esse fator não seja um agravante a prejudicar a recuperação para quem está doente.

"Se não é possível apagar o assunto finanças, quem está em tratamento deve ao menos procurar se concentrar no fato de que cuidar da saúde é a prioridade", afirma a psicóloga clínica Andréa Cibele Alves de Lima.

Para a psicóloga, se o paciente está em condições financeiras difíceis, o aconselhável é que ele busque transformar essa dificuldade em mola propulsora para sua recuperação, ou seja, que isso se torne uma motivação extra para que ele se apegue ao tratamento e tente recuperar-se rapidamente, voltando às condições físicas que lhe permitirão retomar suas atividades profissionais e, conseqüentemente, seus ganhos.

Nem sempre é possível resolver o problema financeiro de forma imediata, lembra Andréa, e por isso vale recorrer a novos caminhos para tentar empurrar a solução definitiva para um momento futuro mais propício. "Buscar empréstimo com amigos e familiares, que não trazem o ônus dos juros cobrados por instituições financeiras, aconselhar-se com amigos e conhecidos que estejam familiarizados com economia e finanças, delegar ao companheiro ou companheira e filhos a tarefa de montar um cronograma de despesas e receitas e estudar cortes de gastos possíveis são alguns desses caminhos", enumera a psicóloga.

"Reduzir o estresse causado por problemas de qualquer natureza significa definir prioridades e concentrar-se no que é mais importante e isso também se estende às questões financeiras", explica a especialista.

Enfatizando que durante o tratamento contra o câncer o auxílio de um psicólogo ou psicoterapeuta sempre pode concorrer para o sucesso na recuperação, Andréa lembra que em geral as instituições universitárias que oferecem cursos nessa área costumam manter serviços gratuitos de atendimento à população.

"Se a situação financeira não permite buscar um atendimento profissional particular, é proveitoso que o paciente encontre esse atendimento nessas instituições, de forma a poder superar esse momento com menor grau de dificuldade", conclui a psicóloga.

Publicado em 27/03/2008

Este serviço de utilidade pública conta com o apoio institucional das entidades de defesa e divulgação da causa do câncer.
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