Entrevista com a psicóloga Carmen Maciel, de PE
Ter mais coisas para fazer do que o que se pode gerenciar é a primeira condição para tornar-se sujeito a um dos mais temíveis males modernos: o estresse. Como estamos o tempo todo agindo para resolver problemas, o fato de nos depararmos com excesso de obrigações e não conseguirmos cumprir todas as tarefas que nos impusemos pode gerar uma tensão tão grande que acaba se transformando em estresse. O conflito também pode ser gerado por problemas de ordem pessoal ou de relacionamento com pessoas pelas quais temos muito apreço, principalmente quando não se vê a solução para o problema ou se perde a esperança de resolvê-lo de forma satisfatória.
Para algumas pessoas, o estresse pode ser administrado de forma positiva, tornando-se um elemento motivador para vencer o desafio, explica a psicóloga clínica Carmen Lúcia Maciel, especializada no tratamento do estresse. Para outros, porém, as conseqüências não são benéficas e podem transformar-se numa sensação de impotência, levando a pessoa a desistir de resolver determinados problemas.
Neles, os efeitos do estresse podem ser sentidos em todo o organismo. Em geral, provoca insônia, alterações no humor, fadiga e interfere no apetite. Em alguns casos, a pessoa estressada come mais do que o costume, como forma de aliviar sua ansiedade. Em outros casos, mais raros, o estresse pode causar perda de apetite.
Os problemas provocados pelo estresse podem ser ainda mais graves, explica Carmen. Eles contribuem para doenças como dores de cabeça de difícil controle, hipertensão arterial, diabetes e câncer.
Segundo Carmen, a descoberta de uma doença crônica ou de difícil tratamento também pode provocar estresse, gerando um ciclo vicioso que leva ao agravamento da doença. O caminho – tanto para evitar que o estresse, desgastando o organismo e diminuindo a imunidade, contribua para o adoecimento, como para impedir que seja um agravante de um quadro patológico – é enfrentar abertamente o problema, fazendo um check-up pessoal e íntimo para enumerar as atividades e obrigações que a pessoa está se impondo e escolher suas prioridades.
"É importante ter momentos de ócio, para poder questionar-se e conhecer o que está ocorrendo com seu organismo", aconselha a psicóloga.
O segundo passo é buscar ajuda, principalmente em seus relacionamentos sociais. "Conversar com pessoas que lhe sejam afetivamente próximas, na busca de soluções para diminuir ou eliminar as situações estressantes, é algo que deve ser encarado como parte integrante do tratamento de uma doença", reforça Carmen.
Caso não exista alguém que possa ser fonte de apoio social, é importante procurar ajuda especializada com um terapeuta para enfrentar e superar os conflitos emocionais e buscar as soluções possíveis.
Publicado em 09/03/2007