Entrevista com Celina Martins, da Abcancer
A convivência entre pessoas que passam pelos mesmos problemas, incluindo situações de doença, vem sendo cada vez mais freqüente e estimulada por profissionais de saúde e instituições de atendimento a pacientes. Algumas entidades formadas por profissionais e diversas outras criadas pelos próprios interessados e familiares podem contabilizar conquistas no que se refere a tratamentos, novas formas de encarar o doente, aceleração de pesquisas e tantos outros temas que, no final, representam melhor qualidade de vida para o paciente e para quem convive e cuida deles.
No Brasil, existem associações de pacientes para praticamente todas as doenças: diabetes, doença de Parkinson, intolerância a glúten, câncer e muitas outras. O objetivo é sempre ajudar a ter melhor qualidade e maior quantidade de informações sobre a doença, de forma a facilitar a busca por cuidados, aumentar a adesão ao tratamento prescrito e, principalmente, tornar o portador da doença um participante ativo em seu processo de busca de cura.
Essa aglutinação de pacientes e familiares em torno de uma causa é um fenômeno que se observa em todo o mundo. Em alguns países, associações conseguem promover eventos que reúnem milhares de pessoas e que ajudam a chamar a atenção para sua causa.
Há também casos de entidades que arregaçam as mangas para valer e criam diversos produtos dirigidos a seu público com o objetivo de facilitar o acesso à informação e reunir cada vez mais pessoas em torno de um mesmo tema.
Esse é o caso, por exemplo, da Vital Options, uma entidade fundada por uma paciente com câncer de mama e que hoje conta com um programa de rádio semanal e uma revista eletrônica, a "Waiting Room".
Outra entidade que lança mão periodicamente de ferramentas eletrônicas para alcançar o paciente, dessa vez no Brasil, é a Abcancer - Associação Brasileira do Câncer, que promove debates virtuais com especialistas no segmento de câncer. A entidade vem realizando esse tipo de evento desde o início de 2007 e segundo Celina Martins, gerente de desenvolvimento institucional, a participação em média tem sido de 30 pessoas. Para ela, levar informação por meio da internet tem a vantagem de permitir a participação de pessoas que não estão em condições de sair de casa.
"Além disso, o debate on line facilita a participação de quem é tímido ou não quer se expor", acredita Celina.
Publicado em 15/10/2008