Entrevista com a psicóloga Alessandra Paterno, do HC de São Paulo

A culpa é um sentimento comum em todas as pessoas e pode ser mais ou menos forte dependendo de fatores como vivência individual, religião, presença de doenças e a possibilidade mais concreta da morte. Entre os portadores de doenças como o câncer, a tentativa de justificar a enfermidade vem muitas vezes mesclada com a sensação de culpa, informa a psicóloga Alessandra Bertotti Paterno, do Departamento de Psicoterapia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“As explicações dadas pelo paciente para justificar a doença são aquilo que fizeram ou o que não fizeram, o modo como levaram a vida”, exemplifica a psicóloga.

Para ela, a sensação de culpa é muito forte na hora do diagnóstico porque esse é o momento em que o paciente mais sente necessidade de uma justificativa. Com o tempo, e ao longo do tratamento, a raiva, a mágoa e a percepção de que está sendo castigado são sentimentos que vão se diluindo.

“Tudo depende de como ele vai vivenciando a doença e de como é encaminhado o tratamento e por isso é extremamente importante que o médico explique os reais motivos e possíveis causas de seu quadro”, explica a especialista.

Se o paciente não recebe esse tipo de informações, pode não conseguir se movimentar no sentido de tratar a doença, achando que sua condição foi merecida por seu comportamento prévio e que não há solução a seu alcance.

Para quem se vê nessa situação, Alessandra considera importante o apoio de um psicólogo que ajude o paciente a sair do passado e perceber o que pode fazer para mudar seu futuro. “Quando ele supera a sensação de culpa, entende que não é mais o momento de buscar o responsável, mas, sim, de ir atrás de tudo o que for possível para sua recuperação”, avalia Alessandra.

 

Publicado em 09/09/2008

 

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